sexta-feira, 3 de junho de 2016

segunda-feira, 30 de maio de 2016

AVÓS


Andava já há bastante tempo para ir levar "estes" jarros aos meus avós. Tinha sempre um certo receio de ir sozinha então pedi ao meu filho e na hora do almoço fomos lá. Apesar de ter convivido muito pouco com eles, lembro bem a doçura da minha avó, meu avô não ele era um pouco "caladão".

Minha avó : Nasceu: 2-3-1903
                    Faleceu: 21-3-1977

Meu avô: Nasceu;  -    -  1904  ( A minha madrinha, que vivia com eles ficou de me dizer a data ao certo)
                Faleceu:13-01-1978


 

quarta-feira, 25 de maio de 2016

52 M E S E S

Há quem diga que tudo se esquece será?

sexta-feira, 20 de maio de 2016

terça-feira, 17 de maio de 2016

24 MESES

Hoje faz 2 anos que minha mãe partiu! Já tenho escrito algumas vezes, mais em relação ao Nando que não há um dia que não me lembre dele. Lembro também com saudade meus pais! Se não for durante o dia,  é à noite, naqueles momentos em que me deito e não adormeço, pois a minha facilidade em adormecer é muito morosa! Lembro muito, quando num momento de "picardia", minha mão me disse o seguinte: "podes pensar que não, mas não existe no mundo ninguém que goste mais de ti do que eu"... na altura comovi-me e são palavras que me "martelam" a mente por cada vez as sentir tão reais e por saber o que toda a gente sabe, diz mas não realiza, que é o facto de termos que dizer que gostamos, temos que demonstrar que gostamos porque depois, quando as pessoas não estão connosco já não há nada a fazer a não ser as saudades e o pensar que poderia ter sido diferente...
Tenho saudades tuas, de tudo o que vivi contigo, da Mãe preocupada que eras e principalmente de me ouvires não só a mim e de dizeres: vamos conseguir, não te preocupes". Fazes-me falta! muita muita falta...

segunda-feira, 16 de maio de 2016

VÊR

"o quanto mudaste de opinião, coisas que juras-te jamais fazer, hoje fazes e nem percebes. É incrível notar que algumas pessoas que, anos atrás te juraram companhia, ainda estão ao teu lado, e é incrivelmente estranho como outras saíram da tua vida e tu nem viste!. vamos-nos desapegando tão lentamente de algumas coisas que quando vemos, já era. É tarde demais. Quando vês, já amas outra cor, outro cheiro, outras músicas. De repente o teu filme favorito já não é o mesmo, e nem sequer do mesmo género. Quando olhas ao teu redor, tem gente de menos, e que aquelas que julgavas ‘amigos’, hoje, estão em caminhos totalmente diferentes do teu. Quando percebes, o teu ‘bom dia’ pertence a outros. Percebes que sobra espaço para companhias e que teu coração ficou grande demais para a pequena quantidade de pessoas que restam na tua vida. Percebes que não importa o tempo, a distância ou o grau de importância que dás para alguém, simplesmente, ela continua contigo. Quando paras para pensar, notas que qualquer motivo, por menor que seja, é sinónimo de juntar a malta e sair para beber, na tentativa de preencher algum vazio dentro de ti. Percebes que não importa quantas piadas dizes dia para te tentares alegrar ou tentar te distrair à noite, tu continuas sendo ridiculamente sozinha. Percebes também que o colo da tua mãe ficou pequeno demais ou já nem sequer o tens para te confortar, e que os teus problemas, agora são ‘problemas de gente grande’ e que o pequeno agora és tu. Olhas à volta e, por segundos, vês que quase tudo tomou outra forma, que muita coisa que era divertido, para ti, ficou chato. Mas ainda é gratificante comparar o ontem com o hoje e ver o quanto cresceste e nem notaste ou o quanto o tempo fez te fez bem e para tudo aquilo que está ao teu redor. E não existe outra maneira, o tempo vai continuar a fazer-te bem, porque crescer é infinito. E que não importa se és adepto ou não às mudanças, muita coisa vai mudar. Muita coisa já mudou".

domingo, 15 de maio de 2016

segunda-feira, 2 de maio de 2016

:(

Sei que ninguém se apercebe mas sempre que vou para a foz, principalmente quando passo na Rua Senhora da Luz, na confeitaria Tavi, no Farol, na praia dos Ingleses, sinto-me sempre triste! Não consigo deixar de pensar no Nando e nos anos em que ele trabalhou ali, nos anos em que estive ali com ele...
Então se entrar para visitar o Zé, colega dele fico completamente a falar como que mecanicamente até evito lá entrar! Estes pensamentos, estas sensações vão ficar para sempre! 
Ainda agora estive a ver no facebook, una amigos da infância dele e dos quais alguns também conhecia e que me adicionaram. Fizeram um jantar todos e não deixaram de falar que "faltava ali o Fernando".

segunda-feira, 25 de abril de 2016

quinta-feira, 21 de abril de 2016

JESUINO LEAL DA SILVA

Tentei de todas as maneiras não ir sozinha ao funeral, até porque foi em S. Mamede do Coronado e não fazia a mínima ideia onde era. Depois de ter falado com vários amigos e nenhum disse que ia, decidi ir sozinha! Meu filho meteu a morada no GPS e fui lá direitinha!
A filha, Marta lembrava-se de mim, como eu me lembrava dela. Disse que me conheceu logo porque nunca esqueceu a minha simpatia e humanidade! a chorar... foi um duro golpe. O filho mais velho o Vitor, é a "continuação" da figura do pai... uma autêntica cópia! O Nuno, não já a Marta, tem os olhos azuis do pai e tal como o Vitor são muito altos!

Nos finais de fevereiro, mais precisamente dia 24 quando o Silva me telefonou, disse que ia fazer uns exames ao intestino e pelos vistos não tinha nada, foi-lhe depois descoberto já no IPO, dois cancros, um no fígado e um outro no pâncreas! tinha consulta dia 19 e lá morreu. Era um bom amigo, amigo de toda a gente, sempre pronto a fazer um favor! enfim ninguém cá fica para semente!

Quando lá cheguei, estava lá o Diogo, ou já sabia que ia ou decidiu ir não sei! segundo ele me disse, dos colegas só lá esteve o Pedro, filho da florista Antónia e que foi sempre nosso amigo...

Que descanse em paz!

"Não chores por quem já está junto a Deus!
Pensa nos momentos felizes que passastes juntos!
E agradece a Deus por deixar esta pessoa
Brilhar na tua vida!

(Escrito na cartão do falecimento)

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Ao final do dia por volta das 8 horas, recebo uma mensagem no telemóvel do Silva, que infelizmente não era o Silva, mas sim a filha e que me deixou triste:

 "O meu pai Jesuino Leal da Silva (GINO) partiu...O funeral é amanhã e a missa é ás 15 horas na Igreja de S, Mamede do Coronado. Agradecida"

O Silva foi um colega de trabalho. Quando fui trabalhar para lá, ele trabalhava no armazém, era um "expert" nas cavilhas, latões e cobres. Anos mais tarde, foi para vendedor. Era muito boa pessoa, sempre pronto a fazer favores a toda a gente, sempre disponível para todos. Tinha falado com ele à pouco e posteriormente ele ligou-me a dizer que ia fazer uns exames que não sabia mas que os médicos desconfiavam que tinha qualquer coisa no intestino!e hoje foi-se!


Nasceu: 27-07-1946
Faleceu. 19-04-2016

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Estou como diz o ditado: "administrar o dinheiro é fácil, o que é difícil é administrar a falta dele"

domingo, 27 de março de 2016

sábado, 26 de março de 2016

 



"Doeu como um tapa. Mas foram só palavras".

sexta-feira, 25 de março de 2016

HOJE

acordei "especialmente" triste! talvez por ser dia 25, talvez por ter dormido mal... não sei!
Faço "rewind" como se de uma cassete velha se tratasse e chego à conclusão que já tive "tudo" e que agora não tenho "nada". Tenho simplesmente a noção que se eu fosse uma pessoa pessimista, uma pessoa como me têm dito: "fraca", estava seguramente com uma grande depressão!

 Penso e olha muitas vezes para quem está pior que eu e sei que existem muitas mas muitas pessoas bem  pior... ainda ontem estive a falar com um rapaz que é professor, que não tem tido grande sorte em ser colocado e desta vez foi para bem longe mais concretamente para Beja e fiquei "parva" com a miséria que por lá existe...
Algumas pessoas passam tão mal que chegam a comer da ração que dão, ou que lhes dão para alimentaremos os cães e isto é miséria total!

Em 2007 começou o descalabro: doença do Nando, aparentemente curada até 2009 altura em que teve que se reformar por invalidez. Final de 2010, desemprego, 25 de julho 2011, falecimento de uma das pessoas que me custou ver partir, meu pai... 25 janeiro 2012 Nando e nada jamais foi igual, maio 2014, minha mãe para a tristeza ficar "completa".  

E assim se vai vivendo o dia a dia com a esperança que o "melhor ainda está para vir"!

50 MESES


segunda-feira, 21 de março de 2016

58 A N O S

Se estivesses comigo, hoje fazias 58 anos!

Partis-te cedo demais e sem mereceres...

As saudades são muitas...

Logo vou "ver-te"!

sábado, 19 de março de 2016

terça-feira, 15 de março de 2016

86 ANOS

Pai, se fosses vivo hoje completavas 86 anos. Tenho saudades tuas, jamais te esquecerei!

sexta-feira, 11 de março de 2016

quinta-feira, 10 de março de 2016

segunda-feira, 7 de março de 2016

NUNCA

"sabemos quando é a hora de dizer adeus. Nunca nos foi permitido entender quando e onde vai acontecer, ou então quanto tempo temos. Ou o quanto aquela pessoa da qual tanto amamos ainda viverá. Só sabemos que os olhos um dia fecham-se, a voz doce e suave cala-se. Ouvi dizer que só se sabe que é entre a chegada e a partida, o meio e o fim; dá um arrepio! E pensamos que poderia ter sido diferente… Diferente como? Talvez se eu me tivesse despedido, ou se então, eu tivesse dito o último “cuida-te”, o último abraço, enfim, o último gesto de carinho. Nunca sabemos a hora do fim, nunquinha, mas novamente digo, ele chega. Calmo, quietinho, e faz um estrago. Paralisa. Hoje o céu é cinza, os pássaros nem cantam, tampouco voam, e a dor é demasiadamente igual à todas as outras perdas. Os acordes da viola não fazem sequer uma melodia. Fica apenas a saudade e o pensamento de: “e se…”
Encaramos a morte como um pesar, mas nunca nos perguntamos se a morte nos testa: amas-te o quanto podes-te? Foste feliz? Fizeste o outro feliz? O que sabemos é que ela chega, e que leva uma parte de nós com ela. Dói, dói bastante. O ponteiro parou no tempo e o tic-tac do relógio, infelizmente, é silencioso.

sexta-feira, 4 de março de 2016

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

49 M E S E S

"Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim, outra vez ."

domingo, 21 de fevereiro de 2016

APESAR

de todo o meu ceticismo, hoje foi ler as cartas. Tarôt Cigano.

A maioria das cartas que me saíram eram cartas "boas ou muito boas". Em relação a emprego, vou conseguir o que pretendo, estando já no meu caminho alguém que foi posta com o objectivo de me ajudar e sei realmente quem é e vou conseguir!

Vou chegar embora devagar, a tudo o que almejo! tenho que deixar fluir.Apareceu uma carta que diz que vou ter que "fechar um ciclo", isto em termos familiares e vou ter alguém, já conhecido ou não, que terá uma  aproximação de mim e para a qual terei que abrir o coração, mas como saiu também o rato, vou ter que ser perspicaz....

 Tenho um Anjo protector aliado a pessoas que já partiram que estão sempre ao meu lado e nunca me deixarão cair!

Alguém que de onde não espero, de todo, vai-me dar valor o que vai ser uma grande alegria. A torre faz com que eu tenha que encontrar as respostas que procuro, dentro de mim. No fundo tenho que deixar a minha vida fluir, porque tudo vai ficar bem, estou num tempo de viragem...
Saiu a árvore, tudo nasce e tudo morre, saiu a carta dos lírios! Saiu uma carta que é um livro e sinceramente vou começar a ler sobre anjinhos!
Muitas coisas já não me lembro, foi uma consulta demorada e agradeço muito o facto de o terem feito para mim a custo zero!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Regresso, uma vez e outra, ao lugar mais triste de mim. O lugar onde guardo todas as decepções que fui acumulando e para as quais não há paliativo que me consiga valer... De cada vez que visito esse canto da minha alma, prometo não voltar mais, mas volto sempre...como que um voltar "à casa da partida"!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

HOJE ESTOU TRISTE... AO FIM DE 4 ANOS SEM TI, (48 longos meses)

Hoje estou triste, faz 4 anos que o chão desapareceu debaixo dos meus pés. Eras um dos pilares da minha vida e a pessoa que só queria o meu bem e em quem podia confiar... sempre!. Deixaste-me quando tinhas apenas e só  53 anos, "partis-te" naquela cama do quarto 220 do IPO... Ainda hoje me pergunto: porquê?..

As saudades são enormes...estarás num sítio melhor? Não sei, tudo o que sei é que não estás comigo e não consigo acreditar no: "sítio melhor"!!!

A ti Nando que foste um guerreiro...mas que não conseguiste vencer a batalha que a vida te impôs, quero que "saibas" que jamais te esquecerei, todos os dias penso em ti, todos!

A vida nestes últimos tempos não sido propriamente "doce" para mim e sei que se estivesses comigo, tudo era muito mais fácil, mas sabes uma coisa? O nosso "menino" fez-se homem e é o meu apoio, incondicional, o meu orgulho, o nosso orgulho!
A vida é como é, as coisas são como são e o passado não volta e a vida corre, sempre e para sempre!  

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

domingo, 10 de janeiro de 2016

sábado, 9 de janeiro de 2016

PARABÉNS

A tua felicidade é a minha felicidade





pelos 30 anos. Sabes que te amo incondicionalmente e lembro como se fosse hoje o dia em que nasces-te lindo e gorduchinho ...

O teu bem estar é a minha felicidade. Quero que sejas feliz hoje e sempre!

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

sábado, 2 de janeiro de 2016

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

O MEU FILHO,

 antes de ir ao banho, deu-me um abraço tão forte, tão sentido, tão fofo e tão "gostoso, que vai ficar guardadinho para sempre em mim. Estava a precisar!
 

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

PARA TI. JAMAIS TE ESQUECEREI!

47 MESES!

Lembro-me do dia 25 de dezembro de 2011 como se fosse hoje!  foi um Natal de sofrimento e dor... Jamais esquecerei, jamais te esquecerei!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

APESAR DE NÃO ACREDITAR

em "palpites", não acreditar em pessoas que se dizem "tocadas", às vezes fico intrigada com o que acontece e hoje fiquei!.
Não sei bem o porquê de ter sido àquela hora mas ontem à noite chorei. Tinha andado à procura de um borrifador pequenino que sabia estar numa das gavetas da mesinha de cabeceira que era do Nando e mais uma vez meti a carregar o MP3. Depois ouvindo as músicas senti-me triste e veio tudo à minha memória!

Hoje, de manhã, meu irmão ligou-me que ontem deu uma queda do sótão para o primeiro andar! Estava a passar um fio elétrico e desequilibrou-se e caiu pelas escadas a baixo, por cima do projetor e acabou por cair de cu no chão. Levantou-se e foi ao hospital...

Diz ele que nunca sentiu tantas dores em toda a vida. Podia-me ter chamado, ainda por cima agora que mora perto de mim e longe que fosse!

Fez radiografias, esteve a soro e tomou umas "bombas". Tem a cintura um pouco inchada e irá ficar negra!   Além de ter que ter descanso, tomar injeções e ter ali para pelo menos 2 meses de dores, o médico disse-lhe que podia ter sido pior. Pode conduzir mas por pouco tempo, não pode estar sempre sentado  nem sempre de pé e o facto de estar magro (emagreceu 26 k) segundo o que o médico disse, ajudou a não ter sido pior!

Na hora em que me sentia triste, estava ele a sofrer no hospital...  e eu sem saber de nada sem poder fazer nada!

O que pensar? foi simplesmente uma coincidência mas o facto de ele ter caído, de o sentir frágil, deixame muito triste e incapaz de conter as lágrimas!  Penso nos meus pais, no Nando ...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

domingo, 29 de novembro de 2015

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

ANIVERSÁRIO


"No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa como uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menina,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...
[Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa]

46 MESES!


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

MÃE, ONDE QUER QUE ESTEJAS PARABÉNS PELOS 82 ANOS. JAMAIS TE ESQUECEREI!

Mãe:
Que desgraça na vida aconteceu,                          (Miguel Torga)
Que ficaste insensível e gelada.
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada.

Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
Que não tem coração dentro do peito.

Chamo aos gritos por ti — não me respondes.
Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.

Mãe:
Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim!

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

domingo, 15 de novembro de 2015

La Marseillaise

Dizem que a morte muda tudo. Quando morre alguém que amas, o que fazes? Quando um sonho teu acaba, o que fazes? Estas duas perguntas causam-te muito medo!. E quando morreres quem vai ficar com teus livros favoritos? Quando morreres quem vai tomar de conta da tua coleção de conchinhas do mar? Quando morreres quem vai fazer o teu trabalho? Quando morreres quem vai cuidar da tua família? Quando morreres que marca deixas para a eternidade? quando morreres, quem te vai levar flores?... 
 
Agora, o bom de morrer é que não vais precisar de te preocupares com todas estas perguntas e sabes porquê? Porque dizem que morrer é mais difícil para os vivos, para os que ficam. É difícil dizer adeus. Em alguns casos, torna-se impossível. Nunca deixas de sentir a perda. Existem coisas que sempre nos trarão aquela dor novamente e assim, ela vai ser sentida ao lembrar de uma música, ao ler um livro, ao dormir e lembrar de algo, ao ver uma fotografia ou ao olhar para o lado e ver aquele vazio; e esse vazio alastrasse  para dentro de ti e deixa-te a grosso modo, oca também. Contudo, com o tempo, essa dor muda e transforma-se em  saudade e saudade é aquela sensação de aperto no peito, mas que ao mesmo tempo faz bem; é aquele sentimento que te vai fazer chorar ao recordar e logo de seguida sorrir por teres feito parte daquilo; por teres vivido aquilo e convivido com aquela pessoa. Ai pensas, nada é eterno, alguns de nós tem a hora para partir primeiro e então a  morte passa a fazer "sentindo". E isto tudo é o que faz da vida esta coisa agridoce."
 
 
(Com algumas nuances)


(Sou um ser feito de barro apenas)   


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

M Ã E

"Mãe? Onde estás, mãe? Acho que estou doente, vem pôr-me a mão na testa e diz-me se estou mesmo. Só acredito em ti. Esfrega-me a barriga como só tu sabes fazer e liberta-me destas dores. Mãe? Onde estás, mãe? Anda para a minha beira, deixa-me deitar no teu colo como se fosse de novo bebé, nunca deixei de o ser para ti, pois não? Diz-me que vai ficar tudo bem, mãe, diz-me que já vai passar. Ajeita-me o cabelo e passa-me a mão no rosto e a dor vai-se embora. Ninguém melhor do que tu para me curar. No teu abraço eu acredito, no teu abraço não tenho medo, no teu abraço encontro paz. Não há abraço mais certo nem amor mais forte que o teu. Mãe? Onde estás mãe?"

Um texto de Raul minh`alma

sábado, 7 de novembro de 2015

É DIFÍCIL NÃO LEMBRAR DO QUE NUNCA SE ESQUECEU...

Hoje fui passear com uma rapariga que podia ser minha filha e que conheci há sensivelmente um ano num dos cursos que andei a tirar. Não é a primeira vez que o faço aliás saímos inúmeras vezes juntas inclusive para a praia íamos juntas. Apesar da diferença de idades, ela gosta da minha companhia e eu da dela e acho-a uma rapariga super responsável.  Hoje foi dia de irmos à  feira de Custóias e depois até ao Bolhão.

Por inúmeras vezes, me veio à ideia a minha adolescência, mais precisamente depois da minha chegada de Angola, os anos de dificuldades, os anos que tive que alargar os sapatos de uma prima para os meus pés e senti-me pequenina, senti a falta de meus pais, senti a falta do Nando, senti a falta de tanta coisa que depois tive e que perdi... tal como a vida que tinha antes de minha chegada a Portugal e por momentos fiquei "só"! literalmente só...

"O FEITIÇO VIROU-SE CONTRA O FEITICEIRO"


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

domingo, 1 de novembro de 2015